Autocompaixão: trate-se tão bem quanto trata os outros

Publicado em 19 de agosto de 2020
Autocompaixão: trate-se tão bem quanto trata os outros

A autocompaixão é a capacidade de nos tratarmos com o mesmo cuidado que dedicamos aos outros. Descubra como desenvolvê-la

Você trata a si mesma como trata os outros? Essa pode parecer uma pergunta simples, mas no fundo é complexa. Porque quando falamos de comparar a nossa vida social e a nossa vida íntima, estamos muito acostumados a usar de dois pesos e duas medidas. Muitas pessoas são gentis e cuidadosas com os outros, mas não tanto com elas mesmas. As palavras amáveis dirigidas ao mundo ficam frias, ou mesmo duras, quando tomam o sentido inverso. E isso acaba causando sofrimento. Nesses casos, o que falta é autocompaixão.

O que é autocompaixão?

Como o nome dá a entender, autocompaixão é a compaixão que sentimos por nós mesmos. É a capacidade de nos tratarmos com a mesma preocupação e o mesmo carinho que dedicamos a alguém muito querido. Pense naquela amiga de tanto tempo, ou em alguma pessoa da sua família de quem você goste: ao vê-la passando por poucas e boas, causadas por eventuais falhas dela, você provavelmente vai acolhê-la e ajudá-la com cuidado, lembrando que errar é humano. Ou seja, vai demonstrar compaixão por ela. 

Agora, mude o foco dessa preocupação do mundo lá fora para o seu universo interior. Você demonstraria o mesmo zelo? A mesma compreensão? A autocompaixão pede que sim. Para ter compaixão por si mesma, você precisa reconhecer também as suas limitações e as suas falhas, sem exagerar ou ignorar os efeitos delas. Precisa se ouvir e, acima de tudo, se respeitar. Isso também tem a ver com autoconhecimento. A autocompaixão acaba se tornando um resultado desse processo, porque significa que nos conhecemos e, acima de tudo, que nos aceitamos.

Como posso desenvolver a autocompaixão?

Assim como acontece com qualquer busca de autoconhecimento, despertar a autocompaixão é um processo contínuo. A boa notícia é que ela pode ser desenvolvida por meio de uma variedade de exercícios — e principalmente por meio de terapia. Aliás, fica aqui outra dica muito importante: a psicoterapia como forma de reconexão consigo mesma. Das mais eficazes, aliás! Mas trataremos disso em um texto futuro.

Um bom exercício para desenvolver a autocompaixão é justamente deslocar o eixo da sua autocrítica. Tente vê-la como uma crítica dirigida a uma amiga: como seriam suas palavras? Se você achar que seriam muito duras para alguém de quem gosta, é bem provável que sejam duras para você. É aquela velha máxima: costumamos aceitar melhor as falhas dos outros do que as nossas próprias. Assim, quando reconstruímos as críticas e aprendemos a aceitar as imperfeições (que são tão nossas quanto as qualidades), conseguimos aprimorar a autocompaixão.

Já pensou em escrever uma carta para si mesma?

É isso aí, um exercício prático e eficaz, recomendado por vários psicólogos: escrever uma carta para si mesma como se estivesse escrevendo para uma amiga sua, todos os dias durante uma semana. Pode ser um e-mail, também, ou quem sabe até um livro. O importante é “fingir” que a destinatária não é você. 

Escreva sobre as qualidades e principalmente sobre as imperfeições, porque isso vai ampliar a sua consciência delas. Pode acreditar que o resultado será surpreendente. E esse exercício de deslocamento do foco com certeza te ajudará a perceber melhor as suas próprias qualidades, também. Sabe aquelas palavras que você não pouparia pra elogiar quem ama? Pode usá-las à vontade aqui. Isso é pura autocompaixão. 

E depois conte para nós os resultados desse processo!

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