O que é climatério? O básico que você precisa saber

Publicado em 22 de outubro de 2020
O que é climatério? O básico que você precisa saber

O que é climatério? O climatério e a menopausa são fases da vida que toda mulher precisa encarar. É um ciclo novo, cheio de desafios, mas é possível passar por ele de forma mais saudável e leve se você estiver munida de bons conhecimentos.

Informação é uma arma poderosa para as mulheres enfrentarem a fase do climatério e menopausa com mais leveza. Sim, os sintomas aparecerão, haverá dificuldade, você provavelmente ficará estressada e mal-humorada. A queda nos hormônios faz isso com a gente.

Por isso é importante entender o que acontece no corpo e conhecer o que pode ser feito para amenizar os sintomas e manter a vida nos eixos.

Quem vai nos ajudar nessa viagem pelo universo da menopausa e do climatério é a médica Joele Lerípio, ginecologista com pós-graduação em envelhecimento, que lida com as questões da menopausa no dia a dia do consultório e também na sua própria vida.

Ela, inclusive, usa o Instagram como uma ferramenta para compartilhar muito conhecimento sobre o assunto.

Menopausa X Climatério

Para entender esse universo é preciso primeiro desvendar esses dois conceitos.

Menopausa é o nome que se dá a última menstruação. O diagnóstico é retroativo porque a mulher só sabe que teve a menopausa depois de 12 meses sem menstruar.

Mas os tão falados sintomas dessa fase aparecem antes desse marco acontecer. Todo esse período de sintomas ativos é chamado de climatério, uma fase que, em média, começa cinco anos antes da menopausa em si e se estende por alguns anos depois.

“Alguns anos antes de parar a menstruação chamamos de climatério pré-menopausa, e alguns anos depois de climatério pós-menopausa”, diz Joele.

De olho nos sintomas

Cansaço, insônia, irritação, falta de libido e vagina seca são sinais de que a menopausa está se aproximando.

“Os primeiros sintomas estão relacionados com a baixa da progesterona, como insônia, irritabilidade e alteração do ciclo menstrual”, diz Joele.

Na sequência aparecem os sintomas relacionados à falta do estradiol, como ganho de peso, dor nas mamas, baixa da libido, depressão, dores articulares, queda de cabelo, ressecamento vulvovaginal e os calorões.

E os calorões, como lidar?

“Os calorões não são o sintoma mais frequente. Eles são conhecidos porque são muito incômodos e desagradáveis. Mas os sintomas mais comuns são a insônia, a irritabilidade, a depressão, a queda de cabelo, a pele seca e o ganho de peso”, conta Joele.

Para lidar com esse desconforto dos fogachos, além da reposição hormonal, que já ajuda, Joele indica intensificar os cuidados com a alimentação, evitando alimentos termogênicos – como cafeína, pimenta e chocolate – e controlar o estresse.

“A pessoa pode fazer a melhor reposição hormonal que existe. Mas se não controlar o estresse, vai ter fogacho”.

Ganho de peso X climatério

A baixa dos hormônios provoca transformações no corpo que predispõe a um depósito de gordura principalmente na área da cintura. Por isso, é fundamental ajustar a atividade física e a alimentação. 

“Se a mulher tem um estilo de vida ativo e saudável, é mais fácil controlar o peso. Mas se ela não fizer nada, aí é inevitável o ganho de peso”, diz Joele. 

“A gordura que a mulher vai ganhando depois da menopausa vai deixando o corpo com o formato de maçã, perdendo quadril, coxa e acumulando gordura na barriga”, completa.

Climatério tem tratamento?

O tratamento mais usado no climatério e menopausa é a reposição dos hormônios estradiol e progesterona. É um tratamento que funciona, mas que nem toda mulher pode fazer.

Por isso é importante consultar um médico e fazer uma bateria de exames antes de começar.

Para quem pode, quanto mais cedo começar, melhor. “Quanto antes começarmos o manejo dessa mulher, mais autonomia e saúde ela terá porque as doenças vão aparecer mais tarde”.

Não posso repor hormônios, e agora?

Quando a mulher não pode usar a reposição hormonal, a indicação é um tratamento fitoterápico, cuidados alimentares para repor minerais, vitaminas e aminoácidos e a prática regular de exercícios físicos, principalmente os resistidos, que envolvem peso.

Estilo de vida e controle do estresse

A fase do climatério e da menopausa é cheia de mudanças e nuances. E não há como fugir delas.

Para lidar com tudo isso, é importante ter um estilo de vida saudável e se atentar à necessidade de uma alimentação equilibrada e à prática de atividade física, com ênfase no fortalecimento muscular.

“O músculo produz muitas substâncias que amenizam os sintomas do climatério e menopausa. Mulheres que já têm esse hábito sofrem menos com os sintomas, até porque o exercício é uma forma de aliviar o estresse”, diz Joele. 

O estresse que a mulher vive hoje aumenta o nível de outros hormônios, como o cortisol, que pioram os sintomas causados pela falta do estradiol e da progesterona.

“É preciso diminuir o estresse e o sedentarismo para que ela conviva melhor com essa falência hormonal que é a chegada da menopausa”.

Doenças e a menopausa

“Hoje, a menopausa é vista como uma endocrinopatia. É um acontecimento fisiológico, mas que traz doenças depois de instalada”, diz Joele.

A falta do estradiol aumenta o risco de hipertensão, elevação do colesterol ruim, aumento da gordura visceral, diabetes, osteoporose, osteopenia etc.

Do ponto de vista do Sistema Nervoso Central, o estradiol é um neuroprotetor e a sua baixa aumenta o risco de demências.

“O Estradiol é o maior anti-inflamatório que temos no corpo. Então, todas as doenças autoimunes tendem a se agravar na pós-menopausa, como esclerose múltipla e lúpus”.

Rotina médica no climatério

É importante manter as consultas regulares ao ginecologista. Se o seu médico não trabalhar com climatério e menopausa, vale a pena consultar um especialista em paralelo.

A frequência de idas ao consultório depende de cada caso. “Todo mundo já rodou 50 mil quilômetros. Algumas rodaram por estrada de chão, enquanto outras só pegaram asfalto. O acompanhamento vai depender de como está a saúde da mulher”, diz Joele.

Bom, o climatério e a menopausa parecem assustadores, né? De fato, é uma fase nova, cheia de desafios. Mas não é uma sentença de que a vida produtiva acabou. Pelo contrário. 

Com a expectativa de vida mais alta, as mulheres tendem a viver mais tempo no climatério e menopausa do que na sua fase fértil.

Por isso é importante se cuidar, aprender, entender e ajudar a disseminar as boas informações.

Entrar no climatério é um sinal de que você está vivendo mais e ainda pode viver muitas aventuras pela frente!

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