Memória afetiva: só fique com o que te faz bem

Publicado em 19 de agosto de 2020
Memória afetiva: só fique com o que te faz bem

A memória afetiva nasce da combinação entre a nossa atenção e o nosso afeto por pessoas e coisas. Veja como lidar melhor com elas.

A situação é comum: você está andando por algum lugar qualquer (com as devidas precauções contra a COVID-19, claro) e de repente sente um perfume específico. Nisso, os pelos do seu corpo ficam arrepiados, o coração perde o compasso, os olhos chegam a marejar. E só depois você entende o motivo – aquele perfume era o de uma pessoa muito querida, que você não encontra faz tempo. Em questão de segundos, sua mente dá um salto de anos, talvez décadas. Pois é, seu corpo reagiu super rápido à memória afetiva despertada pelo olfato. 

Não tem como a gente escapar ilesa de um encontro com as memórias afetivas. Porque elas estão ligadas a momentos importantes do nosso passado. A coisas que, por algum motivo, nos marcaram. E geralmente essas memórias surgem graças aos cinco sentidos. É ouvir aquela música que te leva imediatamente para uma festa dos anos 70, sentir um cheiro nostálgico, passar a mão em algum tecido específico, ver um álbum de fotos, experimentar aquela receita especial que sua mãe fazia… Tudo isso pode abrir a represa da memória e despejar uma torrente de emoções na gente. Por alguns instantes, revivemos o passado.

Atenção + afeto = memória afetiva

O curioso é que não temos controle sobre o que guardamos ou não. Mas de uma coisa os estudiosos sabem: para gerar uma memória, é preciso que prestemos atenção aos acontecimentos. E quando esses acontecimentos envolvem afeto, tendemos a prestar mais atenção ainda, porque temos um vínculo emocional com o que acontece. As situações que nos trazem prazer, por exemplo, são as que mais memorizamos. E é por tudo isso que chamamos esse tipo de lembrança de memória afetiva.

Estamos falando de um campo da psicologia tão importante que existem até nichos de mercado para ele. Por exemplo, a decoração afetiva, que faz uso de objetos e materiais para compor ambientes capazes de nos transportar no tempo. Às vezes, um detalhe basta: o piso de taco, o puxador dos armários, um vaso. Hoje em dia, existem muitos designers e fabricantes que se dedicam a esse tipo de decoração repleta de nostalgia – esse texto do Estadão conta mais a respeito. Existe também a culinária afetiva, que é a gastronomia baseada em memórias.

Cultivando sua memória afetiva

Claro que tudo isso é muito pessoal. Por exemplo, sem saber, você pode ter feito uma bela decoração afetiva na sua casa; e ao preparar aquela receita especial de família, você também está despertando lembranças afetuosas por meio da culinária. Mas é importante você ter consciência daquilo que te comove e faz bem, porque, assim, poderá dar o devido espaço às memórias afetivas em sua vida. 

Agora, é mais importante ainda tirar do seu dia a dia aquilo que não acrescenta. Tudo o que traz memórias “desafetivas”, por assim dizer. Então, de tempos em tempos, vale fazer aquela limpeza em casa. Se for o caso, chame uma amiga pra ajudar a abrir gavetas e armários que estão fechados faz tempo, e para jogar fora tudo o que traz lembranças não tão boas assim. Afinal, é como dizem: já que a vida é uma viagem, é melhor que as nossas malas sejam leves.

Aliás, se um dia você quiser documentar as suas memórias afetivas, não perca este texto sobre como escrever um livro.

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