Menopausa: você sabe lidar com ela?

Publicado em 18 de outubro de 2020
Menopausa: você sabe lidar com ela?

Com a expectativa de vida cada vez mais alta, as mulheres estão vivendo mais tempo na menopausa e no climatério. Isso traz muitas mudanças pra vida delas, seja do ponto de vista físico, social ou emocional. Para lidar com isso é preciso muita informação e autoconhecimento

Calorões, perda da libido, alteração de humor, enxaqueca, secura vaginal e ganho de peso são alguns dos sintomas que chegam com o climatério e a menopausa.

Eles assustam, causam medo, ansiedade, desconforto e, ao mesmo tempo, não há como fugir desta realidade. Mais cedo ou mais tarde, ela chega. Então, o melhor mesmo é encará-la de frente e aprender a lidar com esse novo ciclo da vida feminina.

Não é um período fácil e geralmente vem repleto de dúvidas e mudanças. Mas, com ajuda e informação dá para enfrentá-lo com dignidade, coragem e até leveza.

Informação é empoderamento

Para a jornalista Miriam De Paoli, 50, e com a foto em destaque neste artigo, o primeiro passo para lidar com essa fase é buscar informação. Miriam, que vive a perimenopausa, é uma das criadoras da plataforma No Pausa, que produz conteúdo para informar e ajudar as pessoas neste momento da vida.

“A gente ainda precisa empoderar essas mulheres com informação para que elas decidam o que querem fazer para lidar com essas mudanças”.

Temas como feminismo, condição social, relacionamento, orientação sexual, trabalho e saúde andam lado a lado com as questões da menopausa. E a expectativa de vida mais alta fará com que as mulheres vivam mais tempo na menopausa do que em sua fase reprodutiva.

“É preciso debater que fim de reprodução não significa fim de produtividade. A gente começa a ver uma mulher de  50 anos com filhos pequenos, divorciada, começando uma segunda relação, começando uma relação homoafetiva, repensando identidades de gênero”, analisa Mirian.

“O No Pausa foi o primeiro lugar a abrir a conversa sobre menopausa para as pessoas que nascem com útero. Homens Trans, por exemplo, passam por essa fase. Não podemos chamar para a conscientização se não corrigirmos os conceitos”, completa a jornalista.

É difícil fazer uma análise da menopausa/climatério em 2020 sem entender um pouco os avanços feministas, o avanço do papel da mulher na sociedade, a diferença entre o relógio biológico e o relógio cultural. 

“Existem vários aspectos que antes não eram relevantes. Primeiro porque a gente não viveu o suficiente pra ganhar essa relevância; segundo que o lugar que a mulher ocupava na sociedade era outro; e terceiro que, com o avanço das redes sociais, começamos a ter um espaço de debate, discussão e sororidade que não existia”, diz Miriam.

A menopausa ganha mais voz com as redes

Se os sintomas da menopausa variam de mulher pra mulher, um ponto comum entre elas é a importância da informação na hora de lidar com esta fase. Entender é uma ferramenta de empoderamento feminino fundamental para lidar com o inevitável.

E nos últimos dois anos, o Instagram se tornou o espaço onde algumas mulheres falam abertamente sobre seus processos com o climatério e menopausa e onde trocam informações, ensinam e aprendem.

Para a professora Dani Chyla, 49, que entrou na menopausa aos 43, e gerencia há dois anos e meio a conta @antesdoscinquenta, o Instagram é uma ferramenta para a cura das angústias e dores que vieram com a menopausa.

Ela conta que não esperava lidar com menopausa aos 43 anos e sabia muito pouco sobre o assunto. Na época, sentiu enorme solidão, principalmente porque não encontrava pessoas da sua idade com as quais conversar. 

“Comecei a falar sobre menopausa e a perceber que as mulheres estavam, assim como eu, totalmente desinformadas, muito desamparadas e com o pensamento de que elas não tinham mais direito a serem bonitas, gostosa e terem um sexo bom. E essa é a ideia que a gente quer desconstruir por meio de informação boa e séria”, diz.

Na foto, Dani Chyla, dona do perfil @antesdoscinquenta

Voz para ajudar outras mulheres

A empresária Leila Rodrigues, 53, abriu a conta @menospausamaisvida há um ano e meio porque ao entrar na menopausa, com 41 anos, prometeu que iria ajudar outras mulheres.

“No auge da minha loucura e dos sintomas, fiz um propósito: se eu saísse viva daquilo ali eu iria ajudar de alguma forma as mulheres. Eu não sabia como, mas eu precisava ajudar”. Ela, inclusive, acabou de lançar o livro Hormônios me ouçam, pela Literare Books, onde conta sua experiência.

A advogada Ruth Pinho, 53, entrou na menopausa aos 48 anos por causa de uma histerectomia e há um ano e meio criou a conta no @ruth_sigaquemagrega para conversar com as mulheres. “Senti a necessidade de ter um projeto extra profissional que pudesse agregar algo na vida das mulheres durante esta fase”.

Hoje, ela acha que vive o momento mais feliz da vida justamente porque passou a olhar mais para si. “Com a chegada dos 50 eu senti a finitude. E, pela primeira vez, estou vivendo para mim”.

A menopausa pode ser uma fase produtiva

Segundo a OMS, o mundo terá 1 bilhão de mulheres climatéricas em 2030. Então, o tema precisa mesmo vir à tona, sem tabus e com boa dose de realidade. Porque o corpo não será o mesmo de antes, a vida sexual passará por transformações e, talvez, valores e propósito também.

Mas nada disso significa que a vida da mulher na menopausa ou no climatério vai deixar de ser interessante ou produtiva.

Porém, para encarar de forma mais positiva e agregadora a menopausa é preciso aceitar a fase e as mudanças e aprender a lidar com elas. Falar abertamente, conversar, entender suas próprias vulnerabilidades pode ajudar muito, assim como encontrar um estilo de vida que seja mais adequado a esse momento. Afinal, vida é movimento, é transformação. E na menopausa não é diferente.

Hoje, existem tratamentos como reposição hormonal e modulação hormonal que ajudam as mulheres a enfrentarem essa fase. Porém, sempre é preciso consultar um médico, analisar se os tratamentos são recomendados no seu caso e olhar de uma forma holística o que pode e deve ser feito.

O importante é ter uma postura proativa diante da sua menopausa e não esperar soluções mágicas. Não há uma pílula que se tome e resolva o problema. É preciso encarar os sintomas de frente e fazer escolhas.

“A menopausa não cabe em uma cartela de comprimidos. Tem a ver com tudo aquilo que você vai fazer no dia a dia, a forma como você vai escolher se alimentar ou se exercitar. Existem muitas mudanças que a gente pode escolher pra viver esse período com um pouco mais de leveza”, diz Dani.

Na foto, Leila Rodrigues, dona do perfil @menospausamaisvida

Encarando um novo estilo de vida

Dani engordou 15 quilos após a menopausa e decidiu fazer uma reeducação alimentar e uma mudança radical no estilo de vida, incluindo atividade física e alimentos saudáveis na rotina diária. Junto com a reposição hormonal e o processo de autoconhecimento, ela acha que ganhou em qualidade de vida.

Os 15 quilos, por exemplo, já foram perdidos. “Percebi que eu não podia simplesmente viver o climatério do mesmo jeito que sempre vivi. Demorou um pouco pra eu ter essa ‘maturidade menopáusica’ e entender que pra chegar bem nos meus 80 anos, teria que mudar o meu estilo de vida”.

Leila também partiu para a introdução de atividade física, hábitos de alimentação mais saudáveis e maior atenção ao sono. Ela, que é empresária na área de tecnologia, também fez mudanças na rotina de trabalho, reduzindo as horas de trabalho e incluindo tempo para cuidar das suas questões pessoais.

“É da natureza feminina cuidar de tudo e de todos e por último da gente. E nessa fase você se dá conta de que ou você cuida de você, ou não vai estar aqui pra cuidar dos outros”.

A advogada Ruth também foi em busca de uma vida mais saudável e até de um novo significado. “Aproveitei essa sensação para ressignificar minha existência e sou mais feliz hoje, com certeza. As perdas existem, são difíceis, mas não dá pra pensar só nelas. É preciso pensar nos ganhos também. Eu me sinto muito mais segura, independente e confiante. E não considero os 50 anos os novos 30, mas vivo os 50 como novos 50”.

E você, como está vivendo (ou se preparando para viver) a menopausa?

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