Mudança de casa: quando é hora de fazer?

Publicado em 3 de novembro de 2020
Mudança de casa: quando é hora de fazer?

Como fazer uma mudança de casa na maturidade? Será que é hora de sair do bairro onde você vive e se aventurar em outro lugar? Como ficam as memórias e as relações?

Mudar não é fácil. Essa é uma frase que falamos e ouvimos o tempo todo. E faz muito sentido porque, de fato, mudar exige um pouco de esforço. Até mesmo quando a mudança é para o bem.

Mas é preciso sempre ter em vista que a mudança é um processo natural da vida. Mudamos desde que nascemos. E assim, mudar de trabalho, de casa, de cidade, de carro ou de estado civil faz parte deste processo natural.

Observe, planeje e seja positivo

A arquiteta Flávia Ranieri, pós-graduada em gerontologia e fundadora da Mys Senior Design, ajudou seus pais, Christina e Eduardo, a decidirem se era hora de fazer uma mudança de casa. Na época, eles tinham 66 e 69 anos.

Ao perceber que eles estavam ficando cada vez mais isolados na casa em que viviam, em Belo Horizonte, Flávia foi investigar o por quê. “Percebi que a minha mãe estava mais depressiva, que meu pai só se deslocava para o trabalho, que eles não saíam mais à noite e recebiam menos amigos. Isso foi um sinal de alerta”, diz.

Conversando com eles, Flávia entendeu alguns fatores que estavam impactando a vida do casal: eles não saiam à noite porque tinham medo, já que moravam em uma casa e em um bairro exclusivamente residencial; e uma das principais vias de acesso ao bairro ficava muito congestionada em alguns horários, o que os atrapalhava a sair e também a receber alguns amigos.

Assim, a vida passou a ser mais confinada e menos interessante. “ O isolamento social é um dos grandes fatores de declínio no envelhecimento”, diz Flávia.

A arquiteta Flávia Ranieri, que ajudou os pais a encontrarem um novo bairro pra morar

Para ajudá-los, ela apontou em um mapa o lugar que eles moravam, onde estavam os amigos e familiares, os lugares que gostavam de frequentar, o trabalho etc. “Foi só aí que eles perceberam que estavam de fato ficando isolados e que uma mudança poderia ajudar”.

Todo esse processo, da primeira conversa à decisão final, demorou dois anos e hoje, com 71 e 74 anos, Christina e Eduardo estão mais ativos, mais independentes e mais autônomos do que antes. “Eles fazem mais coisas a pé, as amizades ficaram mais fortes e o círculo social até aumentou”, conta Flávia.

O que levar em conta na hora de fazer uma mudança de casa

Para ajudar os pais no processo de mudança, Flávia se baseou nos 4 pilares do envelhecimento ativo proposto pela OMS (Organização Mundial de Saúde): participação social, aprendizado continuado, saúde e segurança.

“Ao ver as fragilidades chegando, em vez de afastar é preciso abraçar para que isso se reverta em qualidade de vida”.

Flávia Ranieri

Para quem pensa em se mudar, ou em ajudar alguém neste processo, ela indica que, antes de tudo, seja feita uma análise do momento de vida atual. “Analise tudo usando aqueles 4 pilares como base. A partir disso, já dá pra saber se algumas mudanças na rotina são suficientes para resolver as questões, ou se mudar de casa e de bairro pode ser melhor”.

Se a decisão for mudar, faça um check list de tudo aquilo que você gostaria de ter na nova casa e no novo bairro. Isso vai ajudar a nortear o processo de mudança e também a fazer com que esse processo seja vivido de uma forma positiva, com mais ganhos do que perdas.

Paciência, empatia e sabedoria são fundamentais

Outra coisa é organizar o pensamento do macro para o micro. Primeiro, olhar para a cidade, para o bairro, para o tipo de edifício (casa, apartamento, sítio etc) e, por último, para a análise arquitetônica da moradia. Nem sempre é preciso fazer adaptações na nova casa em um primeiro momento.

Nada é definitivo. Essas adequações vão acontecendo conforme a vida vai acontecendo. Não precisa impor tudo de uma vez se não for necessário. Isso faz com que a mudança seja menos traumática”, diz Flávia.

No caso dos pais dela, eles aproveitaram 99% dos móveis que já tinham na nova casa. Isso ajuda a dar segurança emocional, porque é a história deles se perpetuando nesse novo ambiente. As adaptações para facilitar o dia a dia foram feitas aos poucos, conforme eles sentiam necessidade.

Para quem está querendo ajudar os pais ou avós a se mudar, o conselho de Flávia é, antes de tudo, ouvi-los.

“Muitas vezes, os filhos, na melhor das intenções, impõem o que acham mais adequado. Mas é preciso ouvi-los primeiro, porque quando eles se identificam com a solução, a chance de ser um case de sucesso é muito maior”.

Você está preparada para a sua próxima mudança?

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