Síndrome da Impostora: o que é isso afinal?

Publicado em 9 de novembro de 2020
Síndrome da Impostora: o que é isso afinal?

Se você já se sentiu deslocada e achou que não era boa o suficiente para fazer algo, pode ser que tenha sofrido, ou ainda sofra, com a Síndrome da Impostora, uma sensação de insegurança que acomete muitas mulheres em diversas fases da vida

O que a atriz Meryl Streep, a ex-primeira dama dos Estados Unidos Michelle Obama e a escritora Maya Angelou têm em comum?

Todas são bem sucedidas, possuem carreiras de sucesso e são mulheres influentes e bem posicionadas. Mas, também, as três já declararam que sofrem com a Síndrome da Impostora, termo que desde 1978 é usado para definir um sentimento de inadequação e fraude que acomete principalmente as mulheres (mas, sim, pode acometer os homens).

“Você pensa ‘porque alguém vai querer me ver novamente em um filme? Eu não sei atuar de toda forma, então porque eu estou fazendo isso?”

Meryl Streep

Quando surgiu a Síndrome da Impostora

Apesar do nome “síndrome”, não estamos falando de um diagnóstico médico, mas de um conceito que traduz um sentimento de inadequação, de não estar em um lugar por mérito, mas por sorte.

A primeira vez que se falou em Síndrome do Impostor foi em 1978, depois de uma pesquisa feita pelas psicólogas americanas Pauline Rose Clance e Suzanne Imes.

Elas analisaram o comportamento de 150 mulheres bem-sucedidas, com títulos acadêmicos e posição de destaque. E identificaram que elas acreditavam não serem boas o suficiente no que faziam e que estavam apenas enganando quem pensava o contrário.

“Esse estudo mostra que mulheres creditam o seu sucesso a falhas externas e o seu fracasso a questões individuais. Se eu fracassei é porque não estudei o suficiente, não trabalhei o suficiente, não me dediquei o suficiente. Já os homens, creditam o seu sucesso ao indivíduo e, suas falhas, ao sistema”, diz a comunicóloga Anna Terra, 34, que apresenta o podcast Chá com a Impostora.

Não é só no trabalho

Embora esteja muito relacionado ao universo profissional, a Síndrome da Impostora também aparece em outras áreas da vida e pode se manifestar em qualquer idade.

“Recebo relatos de mães que acham que não estão exercendo a maternidade do jeito certo, mulheres que estão em um relacionamento e acham que o companheiro ou companheira estão ali por comodismo e não por amor. Ou seja, é um sentimento que pode se expressar em diversas áreas e envolve uma grande insegurança, um medo de não ser boa o suficiente”.

Anna Terra

Anna conta que quando se aprofundou no tema, identificou-se demais com a impostora não apenas no presente, mas até mesmo nas oportunidades perdidas no passado.

“Meu pai sempre me incentivou a morar em outro País e eu nunca fui por medo de não ser boa o suficiente. Hoje, entendo que foi a minha impostora falando”.

A ideia do podcast é justamente colocar as mulheres para conversarem com a sua impostora, que é uma voz interna e tem uma raiz estrutural.

É importante lembrar que vivemos em uma sociedade machista. Embora hoje exista um movimento em prol da equidade de gêneros, ainda estamos caminhando lentamente e trazemos conosco todas as crenças que sempre foram incutidas na cabeça feminina.

Mulheres não são boas em tecnologia; mulher de batom vermelho não é boa coisa; mulher tem que ser mãe, bela, recatada e do lar etc.

No caso das mulheres maduras, existe, por exemplo, a ideia de que a vida acaba depois da menopausa, o que é uma grande mentira.

A produtividade segue em frente, apesar da menopausa. É só mais uma fase, com suas belezas e dificuldades.

Será que eu sou uma impostora?

Se você acha que não é boa o suficiente, que não vai dar conta de algo, que sempre precisa estudar muito mais do que os outros para dar início a um projeto, existe uma grande chance de estar sofrendo com a Síndrome da Impostora.

Para identificar, é preciso ficar atenta aos sinais. Os mais comuns são:

  • Autossabotagem
  • Dificuldade em reconhecer o seu próprio mérito nas conquistas
  • Fugir daquelas situações que não domina
  • Não se sentir pertencente a nenhum lugar
  • Autocrítica exagerada e até paralisante
  • Cobrar-se pela excelência
  • Achar que nunca está pronta para fazer algo

Em geral, mulheres que sofrem com a Síndrome da Impostora procrastinam demais para fazer algo. Nessa procrastinação está embutido o medo do fracasso e até mesmo o medo da conquista.

Síndrome da Impostora tem cura?

Estamos falando de um comportamento que tem um forte componente psicológico. Não dá pra tomar um remédio e se curar.

Para Anna, os dois melhores caminhos para lidar com a Síndrome da Impostora são o autoconhecimento e o falar sobre o assunto.

“É preciso conhecer as suas fortalezas e fraquezas para poder lidar melhor com elas”, diz.

Conversar com outras pessoas e com outras mulheres também é uma forma de lidar com a questão porque a relação de troca tem muito a ensinar, além de gerar reconhecimento e pertencimento.

“O falar com outras pessoas e o autoconhecimento são as principais ferramentas. Agora, se você estiver vivendo de forma crônica, vale a pena buscar ajuda psicológica e até psiquiátrica se for necessário”, diz Anna

É importante dizer que tudo bem se sentir uma impostora de vez em quando. Mas é preciso ter cuidado com o que acontece depois dessa sensação. Será que você paralisa? Deixa projetos de lado? Perde oportunidades profissionais? Acaba se divorciando sem necessidade?

Pois é, a Síndrome da Impostora pode te levar para caminhos ruins. Por isso, o ideal é aprender a lidar com ela.

Anna sugere tomar um chá com essa voz que insiste em te puxar para baixo para entender o que está acontecendo e, a partir daí, colocar a impostora no lugar que lhe cabe. E esse lugar certamente não é sendo protagonista da sua vida.

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