O que é sororidade e como colocar essa ideia em prática

Publicado em 6 de novembro de 2020
O que é sororidade e como colocar essa ideia em prática

A palavra sororidade ganhou mais holofotes a partir de 2017 e vem se tornado uma companheira da vida feminina. E, sim, é um conceito que tem muito a nos ensinar

A palavra sororidade é relativamente nova no nosso vocabulário. É um termo que deriva do latim soros e significa irmã. Tem a ver, portanto, com irmandade, uma relação que vai além da amizade.

O inglês usa a palavra sorority como uma referência a comunidades estudantis de mulheres. É o “feminino” de fraternidade, a comunidade estudantil de homens.

Mas sororidade vai bem além disso. A autora Paula Roschel, explica no livro “Sororidade” toda essa complexidade e alcance.

“Sororidade não é apenas o feminino de fraternidade. O substantivo se apropria de significados como solidariedade entre irmãs, harmonia e, sobretudo, aliança feminina, mas seu maior impacto está na luta contra a violência e injustiça relacionada ao gênero, sugerindo que através do apoio coletivo entre mulheres é possível lutar pelo direito de todas”.

Não à rivalidade feminina

O universo feminino sempre foi permeado por algumas questões relativas à rivalidade. Quem nunca disse – ou ouviu alguém dizer – que as mulheres são concorrentes, que competem entre si e não se apoiam? É um contexto no qual mulheres foram e ainda são criadas.

E a sororidade vem como um comportamento para quebrar essa barreira da rivalidade e da competição e promover a união entre as mulheres.

União que é importante para fortalecer a voz e o poder feminino, que precisa da força coletiva para romper as barreiras de gênero ainda existentes.

Mulheres ainda ganham menos do que os homens, ocupam menos cargos de liderança e ficam mais sobrecarregadas do que eles.

Segundo dados do IBGE, as mulheres trabalham em média três horas por semana a mais do que os homens (somando-se trabalho remunerado, atividades domésticas e cuidados com outras pessoas), mas ganham apenas dois terços (76%) dos rendimentos deles.

Um olhar sobre a violência

A sororidade também tem uma força muito grande quando o assunto é violência contra a mulher.

Apesar de ser um tema com mais visibilidade hoje em dia, ainda existe um machismo entranhado nessa seara. E facilmente as mulheres são desacreditadas quando fazem uma denúncia sozinhas.

Aí, a força feminina precisa entrar em ação. Porque quando várias mulheres se unem em uma situação desse tipo, a chance de que alguma providência seja tomada é muito maior.

Sororidade nas redes sociais

O mundo assistiu nos últimos anos alguns movimentos importantes neste sentido.

O #ElesporElas, uma iniciativa da ONU, propõe engajar homens e meninos em prol de relações sem comportamento machista. É um movimento importante porque a voz masculina tem o seu peso. E falar em sororidade entre as mulheres não quer dizer excluir os homens da vida e das ações.

O movimento #MeToo, que surgiu por causa de casos de assédio dentro da indústria do cinema norte-americano, também repercutiu muito no mundo todo e incentivou muitas mulheres a falarem sobre casos de abuso.

Um levantamento realizado pelo jornal The New York Times mostra que desde 2017 mais de 200 homens influentes perderam seus cargos depois de serem acusados publicamente de assédio sexual. E mais. Cerca de 43% destes cargos passaram a ser ocupados por mulheres.

Aqui no Brasil, em 2017, a hashtag #mexeucomumamexeucomtodas, levantada depois de um caso de assédio dentro da Rede Globo, também uniu mulheres contra a violência em um movimento amplo.

São exemplos de como a voz feminina, em coletividade, tem muito mais força.

Como praticar a sororidade

A sororidade não é algo que nasce com a gente. Mas ela pode ser construída. E não é uma relação que tem a ver só com amizade. Olha só o que a Paula Roschel diz:

“A palavra sororidade vai além do relacionamento de amizade entre pessoas, englobando a empatia – a capacidade de se por no lugar da outra, de se enxergar em outra mulher, reconhecendo nela suas próprias forças e fraquezas – mesmo entre aquelas que não estão no seu círculo de convivência, as desconhecidas, que merecem tanto respeito quanto você, em uma identificação frente aos problemas que passam simplesmente por questões de gênero. É o afeto e o reconhecimento por meio da troca e da vivência”.

Para praticar a sororidade no dia a dia não basta compartilhar hashtags. É preciso desenvolver um novo olhar, descontruir conceitos e, principalmente, mudar comportamentos. Algumas dicas são:

  • Não julgue outras mulheres. Em vez disso, elogie e valorize outras mulheres
  • Ajude a proteger as mulheres, seja em uma rede de apoio, em uma discussão, na vida pessoal ou no ambiente de trabalho
  • Ofereça serviços para mulheres
  • Compre de empresas lideradas por mulheres ou diretamente com elas. Isso fortalece muito o trabalho feminino

Quando uma rede de apoio e cooperação se forma, forma-se uma teia mais forte e resiliente. E é isso que a sororidade entre as mulheres proporciona: coragem, voz ativa e força pra resistir e transformar.

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